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sábado, 14 de maio de 2011

Silêncio rico em sons...


As paisagens tornaram-se muito mais amenas... com elas o brilho do sol reflectido na água ténue e refrescante. Rochas polidas da passagem de gotas milenares refrescam células de vida... paisagens sonâmbulas dotadas de um silêncio rico em sons... telas de cores que nos fazem pertencer a tal pintura...



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Breathe Again


...breathe again...

...as ruas já não parecem tão estranhas... contemplam a beleza de algo que se perde no tempo... pelos caminhos, passo a passo, saboreiam-se estados de sítios reais confundidos pela irrealidade ou ilusão de um nada escondido num tudo da alma. Assim se fica... enamorado pela visão deslumbrante do vento que trespassa a face e te faz corar de frio... um frio que corta os ramos das árvores despidas de folhas... o passo começa a acelerar num abismo sem fim... permanecendo o desejo de voar... voar... voar... e voltar a respirar e saborear a vida... outra vez...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - XII


...do lado de lá...
Tudo está tão calmo… o silêncio vigora e a paisagem perdura. Ao fundo, no horizonte, entre céu e terra, nascem imagens dignas da natureza. Tudo permanece em fortes dourados, castanhos e bronze. No meio das casas, que brilham por entre pinheiros e eucaliptos, sombras de raios de sol beijam o chão onde foram construídas. Lá em cima… bem em cima do monte, vejo e revejo o desaparecer gradual das árvores e a sua substituição solene por rochas milenares. No ponto mais alto, permanecem geradores de electricidade soprados pelo vento… preparados para receber a primeira neve do ano e deixar o dourado do Outono ser ocupado pelo branco do Inverno. Tudo está calmo… tudo permanece frio… tudo é vento gelado que estremece as poucas folhas que ainda resistem nas árvores, castanhas escuras, como alguém as pintalgou.. De repente, um ou outro chilrear de um pássaro se ouve… e com ele a imagem de um voo pleno rasgando os céus… O sol já nos deixa mais cedo … a noite perdura sobre o dia… o nevoeiro que a acompanha já se faz sentir ao longe. Mas tudo permanece belo… tudo permanece silencioso… tudo permanece para além de uma janela…

domingo, 24 de outubro de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - XI


...entre medos...
"...ali se mantinha a almofada que jazia naquela cama... a mesma almofada que na noite anterior recebera lamentos de sonhos não concebidos, mas muito ansiados, convertidos em lágrimas... o dia amanheceu, também ele tristonho. o dia tornara-se como o sentimento que habitava aquele ser... um dia cinzento, triste e chuvoso... bastante aborrecido diriam as palavras do autor. um ser convertido de medo de avançar... de arriscar... medo de não ter medo... medo de entrar pela multidão... de conseguir falar, pedir, comunicar, orar, articular, discursar, pronunciar, relatar, narrar... simplesmente, falar... falar com gente de hoje com gentes de amanhã, de "bom dia", de "olá" e "adeus".... medo de avançar de volante e pedais a fundo mesmo que as curvas sejam apertadas... medo de tudo e do nada...." - assim dissera o autor sobre aquele ser frágil dotado de uma força escondida... por baixo de uma derme tão espessa que nem os próprios poros a deixam fugir... a mesma força que se transbordará de robustez um dia aquando do som de um "vai correr tudo bem..."

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - X

...o primeiro sol da manhã....

A longa viagem por terras desertas de gente e povoadas de verde, almas adornadas em folhas, campos e terra, terminou segundo aquele sinal. Finalizou-se com o som das rodas paradas sobre os carris... com o último fumo negro, oriundo daquela relíquia antiga. O primeiro pé colocado naquela estação há muito conhecida. O cheiro mantinha-se o mesmo... as pessoas apressadas umas a iniciarem a sua viagem.. outras a "fugirem" daquela que tinham acabado de fazer, para iniciar uma nova. Ao longo do passeio, até à porta de saída, viam-se pessoas daqui e dali. Turistas, trabalhadores, gentes da terra, conhecedores, curiosos, historiadores, amantes da arte e da arquitectura. Como a maior das torres de babel, aquele lugar que outrora era detentor de uma só fala, é habitado por sons de todos os recantos do mundo. De vez enquando, enquanto o caminho se faz, um flash ou outro vêm ao encontro dos olhos... um encontrão... um grito de alegria... uma lágrima de despedida... um abraço de saudade, não sei se de partida ou de chegada. O relógio verde, antigo e majestoso, colocado bem lá em cima, indica o horário dos caminhos dos que o olham. minuto a minuto... hora a hora... mais um destino com uma estação final se traduz naquele som, residente numa linha de um número qualquer... Entre chegadas e partidas, caminhos se vão formando... Entre chegadas e partidas linhas se vão cruzando... até a um único destino... registado num pedaço de papel... Ao longe uma porta aberta... nela uma alma de olhar triste, de rugas marcadas pelo tempo, vendendo girassóis... os mesmos que se inclinavam para um brilho quase inexistente saído por entre os prédios... os mesmos que trouxeram o primeiro sol da manhã naquela viagem de ninguém.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - IX


...e o tempo não mudou... o calor ficou...
As nuvens decidiram dar um ar da sua graça... com elas um calor abrasador decidiu refugiar-se nelas, combinando-se numa brisa vinda do sul que beija as peles mais quentes... mesmo sentindo-se o calor perdido pelo ar... um ar fresco abandonado do nada... deseja as boas vindas a uma vida colorida a preto e branco, pintada de arco-íris... as flores, renascidas de uma primavera quase inexistente, inclinam-se para o maior astro do universo, bebendo dos seus lábios o néctar divino da vida... ao fundo, um jorrar de água, oriundo de um pequeno riacho, abraçava sorrisos e gargalhadas que nela mergulhavam... ao longe, uma árvore contemplava tal paisagem de um tempo que não mudou... de uma terra onde o calor ficou...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - VIII

...às vezes...

...às vezes dói... dói porque sim e porque não... apenas dói. às vezes dá medo... medo porque sim e porque não... apenas dá medo. medo de tudo, transformado numa dor de nada. de viver segundo um sinal que ilumina a estrada e que por vezes falha... de um número... de um sentido perdido por entre a multidão que se foi embora à sua chegada. nem luz do sol ou da lua receberam tal sentido... permaneceu ali desolado do nada e do tudo... do tudo por nada e do nada feito de imperfeito sentido de solidão por entre a multidão... confusão... gestos pequenos que se tornam grandes... de uma mente que se converte ao "eu" mais profundo... uma tristeza que não contempla a felicidade vivida... ninguém sente... ninguém viu... ninguém ouve pronúncio de tal... mantém-se tudo inanimado no recanto aplaudido de seres que o preenchem... e mesmo assim, a solidão de nada e a solidão de tudo... às vezes ficamos tristes e o sorriso pode ser a melhor máscara de reconciliação com a vida... e vive-se assim... com um sorriso com sabor a inexistência total... perdido em imagens sem cor... perdido em sons que se convertem a um vazio... um vazio que ocupa o ar respirável.. um vazio... que se finda no irrespirável...às vezes dói... dói porque sim e porque não... apenas dói. às vezes dá medo... medo porque sim e porque não... apenas dá medo. um medo que se finda no irrespirável...

(às vezes também somos seres humanos,
às vezes também somos imperfeitos,
às vezes também ficamos tristes,
às vezes também escrevemos sem sentido,
às vezes isso sabe muito bem!)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - VI

...sonhos perdidos do lado de fora...

...do lado de fora o som torna-se mais alto do que os ventos que acompanham a chuva que bate no solo perdido da terra... aqui, nestas quatro paredes revestidas de branco, o silêncio permanece... há uns tempos que estas paredes não eram tão silenciosas... já foram habitadas de sorrisos de "crianças" que brincavam... que cantavam... que soltavam gargalhadas... hoje permanece o silêncio... No meio de tantas nuvens, lá um raio de sol tenta brilhar e aquecer estes corações despedaçados pelos sinais da vida... mas em nada se vê... em nada se sente... para onde foi? quando quer voltar? ninguém sabe... alguns mesmo desconfiam que se perdeu em parte incerta... outros fazem apostas de que está enterrado algures sobre o manto de terra solidificada pelo cimento de raiva e dor... para mim? está no lado de fora, junto ao caixote do lixo rotulado de: "Sonhos Perdidos!!!!"

terça-feira, 11 de maio de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - V

...Run...
...o rumo fazia-se sem sentido nenhum... a estrada parecia feita de curvas em zig-zag... os pés corriam sem se sentir... tudo parecia tão alto... tão rápido... o fugir do nada... a pressa de chegar ao outro lado de lá... o respirar forçado segundo a ordem de um compasso... os movimentos estilizados e coordenados como plumas que deslizam pelo céu... o correr sem poderes... mas com vontade de chegar lá e só lá... a noite escura perdida num buraco qualquer é quebrada pela lua... o bater do coração... o respirar sem ponto de paragem... junto ao último passo... ao último pedaço de terra onde pisar... saltar... mergulhar e, simplesmente, voar...



terça-feira, 20 de abril de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - IV


hold me for a while

...tudo parecia secreto... como um quarto de espelhos, imagens esboçadas em retratos de parede, seguiam os passos daquele ser que percorria tal recanto. um olhar ao espelho... querem saber quem és tu... sim tu.. essa imagem que permanece sempre... que está do outro lado de lá... aquela que sorri em fotografias.. que percorreu aquele momento gravado numa máquina qualquer... numa objectiva perdida. Cada cenário parece retirado de uma película de um sonho imaginado por alguém... o seu texto? ainda ninguém o sabe... as personagens? já o seu destino foi traçado e todas elas escolhidas... estão prontas para o ensaio da vida... cada uma entra a seu tempo, segundo o compasso do autor que escreve e reescreve... que rasga e volta a colar cada vida. as falas? já todas estão decoradas, apesar de nenhuma das personagens saber o texto... e com a fluidez da palavra vão-se soltando ao longo da melodia que se ouve ao fundo. uma a uma, vão-se mostrando ao público magias de uma história inventada... e criam-se cenas de vida e de morte... de sonhos e de nada... de amor e de ódio... e assim é lançado a primeira palavra vinda de um nada narrador, de um orador de palavras inventadas... gestos constrói-em-se... uma mão toca a outra... o encontro de duas almas... o pulsar de uma eternidade vivida e outra por viver... riscos começam a lançar-se num quadro de tons de azul, reluzentes de um brilhar profundo de um dourado vindo da luz do holofote ali ao fundo do palco... passo a passo... a proximidade parece uma realidade distante.... a distância um sonho desvanecido... frente a frente um olhar... um sorriso... um toque mão a mão... de pele com pele... o respirar de outrem... o abraço que se prolonga em monólogos a dois convertidos a silêncio... convertidos em sentimento... convertidos numa imagem gravada... numa imagem lançada. Que fica e para sempre será lembrada... o sonho que adormece... o ser que acorda... a realidade que acontece... o sentimento que transborda... o porquê? o nada... o tudo... que vive em mim... o tremer de ser e de viver... cada recordação aqui guardo... cada felicidade amarro num pobre coração... esperando a cada dia que novas falas sejam criadas, que novos cenários sejam narrados, que novos momentos sejam vividos... que nada seja decorado... que nada seja desenhado... apenas que seja um futuro improvisado...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - III

...até ao fim...
...o sol brilhava entre as nuvens.... com ele raios beijavam um olhar perdido no céu, repleto de cores e de seres esvoaçando ao ritmo do pulsar do sangue. Tudo parecia mágico e, ao mesmo tempo, tão irreal como a própria realidade que se vivia. Lá em cima, o vento sentia-se de uma forma muito mais sombria e esperançosa. Os ventos esvoaçavam sobre a paisagem que ressuscitava ao longo do cair das águas. O som do cair traduzia-se no respingar das gotas que fugiam daquele rio... Sobre o penhasco, bem lá no alto, o som reflectia-se no vento forte que soprava do norte em direcção à brisa quente do sul, sustendo vozes de gentes perdidas noutro tempo longínquo... de seres que correm ao seu sabor... que percorrem no sentido e ao longo dos braços abertos em direcção ao céu azul... como uma dança de magia... de cores... de fadas... e de querubins... círculos à sua volta se formavam. Um tom... outro tom... uma voz... uma sílaba... uma música que nascia com cada zumbido... Tudo se perdia... tudo se formava... a respiração começava a ganhar ritmo.. imagens permaneciam... imagens ficavam... imagens voavam... uma última inspiração... uma lágrima que cai sobre o rosto... um passo em frente.. o poder de voar... e mais uma voz se levantou seguindo o vento do norte... e mais uma gota escorregou pela água daquele rio... um último rezar em queda... um último suspiro. o mesmo que nunca mais voltará... que nunca mais será... mas que é do vento... do nada... caminhando contigo, até ao fim...

domingo, 28 de março de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - II

Quando a chuva parou...
...quando a chuva parou a paisagem rejubilou em mil cores de um arco-íris sem fim... o mesmo que brotou um toque de alegria numa face serena, perdida num tempo, num horizonte sem fim. Como desenho que iniciou a sua construção, esboço o sorriso que é só teu... o mesmo que se perde no meu. Desenho-o em carvão, sem traços certos, com sombras que se recolhem sobre a luz da lua que te ilumina. Risco... risco... cada traço segundo o seu tempo, segundo o seu verdadeiro ser... o papel que serve de base à minha arte, torna-se pele de um ser que se vai tornando cada vez mais real... e as formas começam a suceder-se... deixo o carvão porque o esboço já está feito. A base de tudo está ali. E só ali, fica gravada para todo o sempre. Daquele papel nunca irá sair, jamais. Agora... basta dar um pouco de cor, para que não se estrague com o tempo, com a chuva que ainda pode vir. E essa cor eu te dei.. fechei-te num quadro de aguarela... conjuguei cores em formas de aroma. E perdida nesse aroma me mantive... sem sentido talvez... mas resignando-me a ele, como se fosse parte de mim.. de outro ser... que sem cor, feito também de carvão, rejubilou nos traços só teus. E de carvão preto, sujo, triste e ressentido, convertemo-nos num arco-íris de cores para lá do tempo, do sonho, do irreal... E hoje... hoje sim a chuva parou...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Gatafunhos de Histórias Inventadas - I

O sabor do tempo...
...cada passo parecia afundar-se pela terra molhada. cada um a seguir ao outro. quanto mais avançava mais a terra se tornava funda entre as folhas secas que caíam de árvores semi-despidas. montes pequenos acumulavam-se pelo caminho. uma a uma, folha a folha, íam sendo retiradas do seu local secreto de repouso que escolheram para pernoitar eternamente durante toda a primavera, durante todo o verão. junto a elas, gotas de vida e de verdade jogavam-se dos céus tristes e enublados. na mesma direcção... rasgavam os céus e permaneciam em consonância naquele destino de descer em direcção a um nada. bem um nada não, a um tudo onde qualquer ser, qualquer nada se transforma sempre em algo. numa terra de benção, semeadora e fértil de natureza nascida, de natureza por nascer. o frio, esse não tardava em chegar acompanhado do vento que se formava na orla por detrás de montes estendidos por entre os esboços de sombras distantes. tudo parecia diferente. um diferente de uma normalidade já sentida noutros dias. mas diferente. as mãos começavam a ficar vermelhas... as malas pesadas. mas o caminho continuava, entre altos e baixos. as gotas faziam-se sentir na pele. no rosto. escorrendo suavemente sobre a face. ao fundo, faziam-se sentir vozes perdidas no silêncio... eram sempre as mesmas. o mesmo timbre, o mesmo som, o mesmo sentir, o mesmo pensar transformado em palavras. contudo, também estas pareciam estranhas apesar de tanta familiaridade. as casas, que brilhavam há luz dos dias recheados de sol e alegria, perderam-se em tons de cinzento, em tons de uma pedra que se mantém fria. tudo era igual, mas ao mesmo tempo diferente. tudo se mantinha no mesmo local, nem um centímetro para o lado. se o seu destino foi sempre estar ali, dali nunca saiu. tudo cheirava ao mesmo. mas os sons, esses eram diferentes... o silêncio deu lugar às crianças que brincavam na praceta de pedra... o som dos animais ao fundo nos campos de pasto, perderam-se com o crescimento de ervas daninhas. E ali chegou, de regresso à casa de onde partira, à aldeia que sempre a esperou, aos olhos esperançosos de quem a viu partir um dia, de quem já não esperava o voltar... os passos calaram-se, o caminho terminara... ali permanecera de sorriso aberto para aquele lugar escondido... o sol voltara a raiar como noutra vida sempre o fizera por lá...
Hoje continuava a mesma, mas muito diferente daqueles anos. Hoje a aldeia continuava a mesma, mas muito diferente daqueles anos. Tudo parecia o mesmo, mas muito diferente daqueles anos.