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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Principessa

Para quem gosta de romances históricos como eu, o livro Principessa, de Peter Prange, pode ser uma boa prenda de natal... Apesar de ultimamente não ter muito tempo para ler, este livro despertou a minha atenção. A trama passa-se em pleno ano de 1963 em Roma, contando a história desconhecida da mulher que inspirou Bernini e Borromini, dois arquitectos brilhantes da Roma do século XVII:

"Enquanto a multidão festeja nas ruas a eleição do novo Papa Urbano VIII, uma jovem e ousada aristocrata inglesa chega à Cidade Eterna. Chama-se ela Clarissa Whetenham e atravessou a Europa disfarçada de homem, com o objectivo de se encontrar com a prima Olimpia, que, casada com o príncipe Pamphili, habita um palácio na cidade de Roma. Rapidamente Clarissa - a Principessa - se envolve amorosamente com dois jovens arquitectos, cujas obras virão a ser referenciadas, alguns anos mais tarde, entre as mais sublimes do barroco italiano. Um deles é Lorenzo Bernini, um homem brilhante, mundano e, por muitos, considerado o arquitecto preferido dos Papas. Ainda que não ficando indiferente ao seu poder de sedução, será, no entanto, pelo solitário e atormentado Francesco Borromini que a Principessa se apaixonará realmente. A ponto de colocar a vida em perigo para o ajudar a materializar algumas das suas mais prodigiosas e atrevidas criações. Será através da apaixonada relação destas três personagens que Peter Prange conduz o leitor através de uma sedutora e faustosa Roma assistindo à execução de algumas das mais emblemáticas obras arquitectónicas de sempre."

Este livro chega a ser apaixonante... Por um lado, temos o retratar da belíssima Roma com toda a sua luz e arquitectura típica do estilo barroco, onde através das palavras conseguimos imaginar tais belíssimas obras. Por outro, é contada a história de três personagens, em que a sua vida se confunde num amor levado ao extremo da loucura. Apesar de triste e solitária, a personagem de Francesco Borromini é aquela que mais me fascina. Com o virar de cada página, conseguimos sentir o amor e o seu fascínio por tão bela criatura como a personagem de Clarissa. Um amor de olhares e partilha de um gosto particular pela arte e arquitectura. A veneração por ela chega a ser tão grande que é transportada para essa mesma arte, sendo a sua única e verdadeira fonte de inspiração... personificando, em cada obra sua, o rosto da sua amada...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dança de Corações...

"...o eco provocado era extraordinário. Os 12 corpos giravam e saltavam como se fossem um só. Os espelhos repetiam até ao infinito as suas imagens. Flutuavam os braços, as pernas, levantavam-se as cabeças, gritavam, caíam... O ambiente era dominado pelo espírito do teatro, do musical. O piano lançava, incansável, as notas e a melodia parecia flutuar suspensa no ar da velha sala de ensaios. Muitas estrelas tinham ensaiado ali. Um número incontável de bailarinos e de bailarinas tinham trabalhado naquela sala até ao extremo, até os músculos já não aguentarem mais. Uma parte do espectáculo que o público rara vezes chegava a ver..." (por Nora Roberts - Dança de Corações)


...absolutamente genial...

domingo, 24 de maio de 2009

As Crónicas da Margarida

"O tempo ensina-nos a viver com os nossos defeitos e a respeitar as diferenças dos outros. Dá-nos sabedoria, tolerância, paciência, distância, objectividade, clareza mental. Afasta as dúvidas e as hesitações. Poupa-nos de decepções e enganos. Abre-nos os olhos quando somos os únicos a não ver. E dá-nos força para continuar, mesmo que o amor seja uma ausência, uma perda, uma falta, uma desilusão. Mas o amor está para o tempo como uma vela acesa numa noite de luar. O amor é trémulo, impaciente, frágil, volúvel, fraco, fácil de acender. Tantas vezes se consome a si próprio, tantas vezes é tão fácil de apagar, para depois se reacender, voltar a vacilar, incerto e inseguro, quente mas efémero, forte mas falível, romântico mas tantas vezes superficial... O amor abre o coração, desprotege o espírito, acorda o corpo e aquece a alma. Pode nascer de um olhar mais longo, de uma conversa à mesa, de um passeio à beira-mar, da simples passagem da palma de uma mão por uma cintura desprevenida. Não tem regras, nem tempo, nem cores, porque não tem limites, nem compassos nem contornos. Por isso é que quando nos apaixonamos enchemos páginas inúteis com os defeitos e qualidades do nosso amado sem chegarmos a nenhuma conclusão. E ao vermos nele alguns defeitos que tanto abominamos, condescendemos, abreviamos, contemporizamos e deixamos passar. Porque o verdadeiro amor é aquele que resiste ao tempo, sobrevive às dúvidas, emerge do medo e aprende a dominá-lo. Amar é outra coisa. É dar sem pensar, é sonhar o dia todo acordado e dormir sem nunca adormecer, é galgar distâncias com agilidade e destreza, é viajar sem sair de casa, escolher livros e programar surpresas, namorar o telefone à espera que ele toque, acordar depois de duas horas de sono com cara de bebé, sentir que somos invencíveis e que a perfeição está tão perto e é tão fácil, que a morte já podia chegar, sem termos medo de perder a vida." (Crónicas de Margarida Rebelo Pinto - veja o texto completo aqui)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Rio das Flores

"(...)Quem nunca sofreu por amor nunca aprenderá a amar. Amar é o terror de perder o outro, é o medo silêncio e do quarto deserto, de tudo o que se pensa sem poder falar, do que se murmura a sós sem ter a quem dizer em voz alta. É preciso sentir esse terror para saber o que é amar. E, quando tudo enfim desaba, quando o outro partiu e deixou atrás de si o silêncio e o quarto deserto, por entre os escombros e a humilhação de uma felicidade desfeita, resta o orgulho de saber que se amou." ("In "Rio das Flores" de Miguel Sousa Tavares)

A Sombra do Vento


"Numa ocasião ouvi um cliente habitual comentar na livraria do meu pai que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao seu coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual, mais tarde ou mais cedo - não importa quantos livros leiamos, quantos mundos descubramos, tudo quanto aprendamos ou esqueçamos-, vamos regressar. Para mim aquelas páginas enfeitiçadas serão sempre as que encontrei entre os corredores do Cemitério dos livros esquecidos." (por Carlos Ruiz Zafón)

domingo, 22 de março de 2009

Espero-te....


“Espero por ti porque acho que podes ser o homem da minha vida. E espero por ti porque sei esperar, porque nos genes ou na aprendizagem da sabedoria mais íntima e preciosa, há uma voz firme e incessante que me pede para esperar por ti. E eu gosto de ouvir essa voz a embalar-me de noite antes de, tantas e tantas vezes, te encontrar nos meus sonhos, e a acalentar-me de manhã, quando um novo dia chega e me faz pensar o quão longa e inglória pode ser a minha espera.” (in Diário da tua Ausência -Margarida Rebelo Pinto)

sexta-feira, 13 de março de 2009

Vai onde te leva o coração

“(…) Sabes qual é o erro que cometemos sempre? Acreditar que a vida é imutável, que, mal escolhemos um carril, temos de o seguir até ao fim. Contudo, o destino tem muito mais imaginação do que nós... Precisamente quando se pensa que se está num beco sem saída, quando se atinge o cúmulo do desespero, com a velocidade de uma rajada de vento tudo muda, tudo se transforma, e de um momento para o outro damos por nós a viver uma nova vida.Se, esteja onde estiver, arranjar maneira de te ver, só ficarei triste, como fico triste sempre que vejo uma vida desperdiçada, uma vida em que o caminho do amor não conseguiu cumprir-se.Tem cuidado contigo. Sempre que à medida que fores crescendo, tiveres vontade de converter as coisas erradas em certas, lembra-te que a primeira revolução a fazer é dentro de nós próprios, a primeira e a mais importante. Lutar por uma ideia sem se ter uma ideia de si próprio é uma das coisas mais perigosas que se pode fazer. Quando te sentires perdida, confusa, pensa nas árvores, lembra-te da forma como crescem. Lembra-te que uma árvore com muita ramagem e poucas raízes é derrubada à primeira rajada de vento, e que a linfa custa a correr numa árvore com muitas raízes e pouca ramagem. As raízes e os ramos devem crescer de igual modo, deves estar nas coisas e estar sobre as coisas, só assim poderás dar sombra e abrigo, só assim, na estação apropriada, poderás cobrir-te de flores e de frutos. E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera.Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai onde ele te levar (…)" (por Susanna Tamaro)